SITUAÇÃO PRECÁRIA – Mais de 790 mil alagoanos não tem água sequer para lavar as mãos

Casal deixa de levar água tratada para milhares de alagoanos e compromete a luta contra a pandemia de coronavírus no Estado

Imagem da Internet

Tal qual soldados desarmados em uma guerra, 790.170 alagoanos enfrentam a pandemia do novo coronavírus sem que tenham acesso à água tratada. Um em cada quatro pessoas não tem, sequer, para lavar as mãos.

Considerando que a população total de Alagoas é de 3,3 milhões de pessoas – segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia de Alagoas (IBGE) –, 25,4% delas não têm acesso ao líquido universal, ou seja, um em cada quatro alagoanos não consegue executar atividades básicas de higiene, como lavar as mãos, tomar banho ou até mesmo matar a sede. A água que essas pessoas conseguem para subsistirem vem de fontes irregulares.

Os números são do Painel do Saneamento, do Instituto Trata Brasil, e se referem a 2018, atualização mais recente. Trata Brasil é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que mapeia 642 localidades em todo o País e surgiu, em 2017, com foco nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país.

O último domingo, 22, marcou o Dia Mundial da Água. Neste momento de enfrentamento à pandemia, ela é a arma principal para combater o vírus. Aliada ao sabão, a água é o que há de mais eficiente para matar o vírus, segundo alertam os especialistas. “Lavar as mãos com sabão é uma das coisas mais baratas e eficazes que você pode fazer para proteger você mesmo e os outros contra o coronavírus, bem como contra muitas outras doenças infecciosas. No entanto, para bilhões, mesmo as medidas mais básicas estão simplesmente fora de alcance”, afirma Sanjay Wijesekera, diretor de Programas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Dados 

De acordo com os dados, o percentual de pessoas sem acesso à água tratada, em Alagoas, está acima do índice nacional de 16,4%. O levantamento mostra que os mais penalizados pela falta de água tratada no estado estão na zona rural. Eles são 519.924 dos 790.170, o que equivale a 65,7% do total. O restante? 270.246, está na área urbana, e representa 34,3%.

 O consumo diário de litros de água por pessoa em Alagoas é de 107,67. A conta é feita ao dividir o número de habitantes pela quantidade de litros de água tratada consumida. No entanto, nem todo mundo consome, nem muito menos tem acesso justo e igualitário à água.

A realidade é ainda pior quando se considerado que outro 1,37 milhão de alagoanos não recebe água com regularidade adequada, ou seja, não pode contar com água de modo ininterrupto e precisa adotar um uso limitado.

A parcela da população alagoana nessa situação é de 41,4%. São pessoas como os moradores do bairro do Rio Novo e do distrito de Ipioca, ambos na capital alagoana, que devido à falta de regularidade na distribuição precisam juntar baldes para armazenar água em casa. Eles ironizam que as torneiras das residências são de enfeite, já que não cumprem o papel devido.

O levantamento revela também que enquanto parte da população alagoana não tem acesso à água tratada, o percentual de perdas na distribuição de água no estado é de 33,9%. Ou seja, de cada 10 litros produzidos, 3,39 escorrem pelas ruas, por tubulações furadas, entre outros motivos. Sem água e sem saneamento.

Os números do levantamento mostram que em Alagoas 2,4 milhões de pessoas, (78,7%) da população, não conta com coleta de esgoto. Até 2018, esse serviço era privilégio para 664.770 alagoanos, (21,4%) da população. As consequências da falta de saneamento estão nos números da saúde, por exemplo. Em 2018, houve 3.271 internações por doenças de veiculação hídrica no estado.

As consequências da falta de saneamento também refletem no mercado de trabalho. A renda das pessoas com saneamento foi maior que a daqueles que não tinham acesso ao saneamento: R$ 2.570,06 por mês contra R$ 380,86. Além disso, o levantamento mostra que os moradores de residências sem saneamento tinham mais anos de educação formal do que aqueles que moravam em residências com acesso ao saneamento: respectivamente 4,68 anos contra 8,32 anos.

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