Pescadores e marisqueiras veem moradia digna como uma realidade já conquistada

Mais de sete mil ribeirinhos serão contemplados com a política de moradia do município de Maceió e passarão a morar no Parque da Lagoa

Viver à beira da Lagoa e morar perto do local de trabalho é mais que um privilégio, é desfazer uma desigualdade histórica e emponderar dignamente um povo – a quem sempre esteve na base da pirâmide social. Eles nunca deixaram de sonhar e lutar e hoje pescadores e marisqueiras terão acesso à moradia digna e condições de trabalho preservados. Em poucos meses, deixarão seus barracos de alvenaria e passarão a viver no residencial Parque da Lagoa, a 100m da Lagoa Mundaú. Serão 1.776 apartamentos entregues no final de 2021 e início de 2022.

“A Lagoa é a nossa mãe. Ela nos dá provimento todos os dias – a cada um de nós. Não podemos viver longe dela”. A relação fraterna com a natureza e o espírito coletivista presente na fala da marisqueira Sanara Lima representa grande parte da vila dos pescadores da Lagoa Mundaú. “Aqui um ajuda o outro e a gente vai vivendo”, completa Sanara.

Na divisão social do trabalho uns pescam, outros tratam e outros vendem, mas de acordo com o representante da Associação dos Pescadores da Lagoa Mundaú, Evanildo do Amor Divino (o Baiano), todos lutaram, sonharam e agora poderão ter acesso as conquistas de forma coletiva. O líder popular não esconde a felicidade e afirma que não descansará até que todos realizem esse sonho. “Eu sempre doei a minha vida por esta lagoa. Eu amo isso aqui. Eu quero ver toda essa gente sorrindo”, justificou o pescador.

A preocupação do Baiano está sendo atendida pela Prefeitura de Maceió, que entregará ainda este ano 50% do residencial e a outra metade no início de 2022. Ao todo, serão 89 prédios, com 1.776 apartamentos, beneficiando mais de 7 mil pessoas.

A infraestrutura contempla uma extensa área de lazer, com brinquedos infantis, quadras poliesportivas, bicicletário e ciclovias. Além disso, próximo aos apartamentos será construído um centro pesqueiro para comercialização dos pescados e mariscos pegos na Lagoa Mundaú.

O secretário de Assistência Social de Maceió, Carlos Jorge, que há longos anos acompanha a vila dos pescadores em trabalhos na comunidade, garante que a obra representa o amparo e proteção social que toda a gestão pública deveria oferecer.

“Essa comunidade sempre viveu esquecida, ausente de políticas públicas e agora eu fico feliz ao ver essa grande transformação social. Agora é real. Não existe mais nenhuma expectativa frustrada, agora a mudança é pra valer. No futuro, a orla lagunar será símbolo de transformação”, explicitou Carlos Jorge.

O cadastro para ocupação dos imóveis tem sido realizado pela Secretaria Adjunta de Habitação de Maceió, que mantém um ponto de atendimento na área lagunar, exclusivo para os moradores da região. Em 2019, a Prefeitura realizou o último levantamento habitacional com os moradores do local. Este censo atrelado a ajuda de líderes comunitários tem direcionado os trabalhos do órgão na localização dos moradores que terão prioridade na ocupação do residencial em construção.

A marisqueira Sanara Lima aguarda ansiosamente a entrega das chaves. Para ela, a construção do Parque além de gerar qualidade de vida, vai fortalecer a cultura da Lagoa – que é inerente à cultura da capital alagoana.  “Nós temos muita esperança, de que dias melhores viram”, finaliza com sorriso no rosto.

André Aguiar / Secom Maceió

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