Política

Sem Moro, grupo se reúne na Câmara para discutir pacote anticrime

Nesta segunda-feira, 25, Moro contemporizou os atritos com Maia. Em evento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ele destacou a “liderança” do deputado e disse que “depois da tempestade, vem a bonança”. “Nós temos um bom relacionamento. Houve algumas declarações ásperas, mas isso é absolutamente superável. Isso é normal. Como se diz: depois da tempestade, sempre vem a bonança. E há plenas condições de dialogar e construir junto uma agenda sob liderança do presidente Rodrigo Maia”, disse Sérgio Moro.

Questionado se não deveria estar na reunião, Moro minimizou a ausência:”Esse é um comitê de trabalho lá deles, né? Nós temos o projeto e devemos ser consultado do percurso”.

Discussão. Na quarta-feira, 20, Maia criticou Moro após se sentir cobrado pelo ministro em um evento da Frente Parlamentar de Segurança Pública no Congresso. O ministro cobrou o início da tramitação do pacote anticrime simultaneamente à discussão da reforma da Previdência. Maia afirmou que Moro é “funcionário” do presidente Jair Bolsonaro e que se o governo quiser mudar a tramitação das propostas é só o presidente pedir. “Funcionário do presidente Bolsonaro? Conversa com o presidente Bolsonaro e se o presidente Bolsonaro quiser, conversa comigo. Eu fiz aquilo que acho correto”, afirmou Maia, segundo o MSN.

O presidente da Câmara decidiu criar um grupo de deputados que, por 90 dias, vai analisar o projeto de Moro antes de começar a discussão em uma comissão da Casa, o primeiro passo da tramitação. A medida, na prática, “trava” a discussão das propostas. Em um segundo movimento, ele ainda incorporou ao grupo de trabalho dois parlamentares da oposição na sexta-feira, 22.

Após a movimentação de Maia, Moro soltou uma nota pública afirmando que apresentou, em nome do governo Bolsonaro, “um projeto de lei inovador e amplo contra crime organizado, contra crimes violentos e corrupção, flagelos contra o povo brasileiro”. “A única expectativa que tenho, atendendo aos anseios da sociedade contra o crime, é que o projeto tramite regularmente e seja debatido e aprimorado pelo Congresso Nacional com a urgência que o caso requer”, disse.

“Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”, afirmou o ministro. “Essas questões sempre foram tratadas com respeito e cordialidade com o Presidente da Câmara, e espero que o mesmo possa ocorrer com o projeto e com quem o propôs. Não por questões pessoais, mas por respeito ao cargo e ao amplo desejo do povo brasileiro de viver em um país menos corrupto e mais seguro”, completou.

26/03/2019

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