Empresa de navio grego diz que é notificada por Marinha do Brasil junto com outras 4 embarcações

A empresa Delta Tankers Ltd., administradora do navio Bouboulina levantado pela Polícia Federal como um dos suspeitos pelo vazamento de óleo no Nordeste, informou nesta terça-feira (5) que foi notificada pela Marinha do Brasil junto com outras 4 embarcações gregas. São elas:

  • Maran Apollo
  • Maran Libra
  • Minerva Alexandra
  • Cap Pembroke

De acordo com a nota, as cinco embarcações estão sendo investigadas pelo governo brasileiro. A notificação, ainda segundo a Delta Tankers, foi feita por meio de um aviso da Marinha do Brasil ao Ministério de Assuntos Marítimos da Grécia. A documentação do Bouboulina foi exigida pelo órgão, revela o G1.

O texto divulgado pela empresa apresenta um trecho da notificação feita pela Marinha:

“Como representante da autoridade marítima, solicito à autoridade marítima de seu país a notificação dos navios listados abaixo como suspeitos de derramamento do óleo que surgiu na costa nordeste do Brasil, já que eles navegaram perto da área afetada durante o período em que acredita-se que ocorreu o vazamento”.

Em resposta às suspeitas das autoridades brasileiras, a Delta Tankers diz que fez uma “pesquisa completa do material por meio de imagens de câmeras, dados e registros e afirmou que não há provas de que a embarcação tenha parado. A empresa relata que irá prestar documentos de forma voluntária e que o navio Bouboulina partiu da Venezuela em 19 de julho, sem pausas, para a Malásia”.

Principal entre 30 suspeitos

No sábado (2), a Marinha do Brasil disse que o navio grego Bouboulina é o principal suspeito, entre 30 embarcações, de ter derramado o óleo no Nordeste. A investigação veio a público na sexta-feira (1º), quando Operação Mácula foi desencadeada com base em um relatório produzido pela empresa HEX Tecnologias Espaciais. O documento leva em conta a análise de dados de satélite para localizar as manchas.

O apontamento deste navio suspeito vai contra duas tendências anteriormente apontadas pela Marinha e pelo Ibama nas investigações:

  • a mancha teria sido localizada pela HEX Tecnologias Especiais com imagens de satélite, mas o Ibama já havia descartado essa possibilidade em estudos próprios, de agências espaciais e de universidades. Além disso, nesta segunda-feira (4), um novo parecer voltou a dizer que satélites ‘não têm condições’ de apontar óleo no oceano;
  • as datas da passagem do navio pela costa e o fato de ele não estar operando como um “navio-fantasma” também divergem das hipóteses levantadas pelos órgãos brasileiros.

Depois de sair da Venezuela e trafegar sempre com seu sistema de localização ativo, o navio Bouboulina passou a oeste da Paraíba em 28 de julho. As investigações do governo brasileiro apontam que a primeira mancha no oceano foi registrada em 29 de julho, a 733 km da costa da Paraíba. As primeiras praias do país afetadas foram no município paraibano de Conde em 30 de agosto.

O petroleiro é do tipo Suezmax, e sua capacidade máxima é 1,1 milhão de barris. Considerando o valor atual de mercado do petróleo, o carregamento vale cerca de US$ 66 milhões. As 2,5 mil toneladas que vazaram na costa brasileira equivalem a quase três milhões de litros. Isso representa 1,8% da carga transportada pelo navio.

06/11/2019

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