A CHINA CRIOU O VÍRUS? – Em artigo, professor do Ifal aborda o surgimento do novo coronavírus

Texto confronta as acusações de que a China teria criado o vírus com as informações que provam o contrário

 

Abelardo Pedro Nobre Júnior

Professor do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Abelardo Pedro Nobre Júnior escreve artigo com tema voltado para as especulações em torno o surgimento do novo coronavírus. No texto, ele cita as acusações de que a China teria criado o vírus para obter vantagens econômicas no cenário mundial e faz o levantamento das informações que provam o contrário.

Abelardo Nobre é graduado em Geografia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), especialista em Engenharia Ambiental e Urbana e está cursando o mestrado em Astronomia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia. Também é sócio e assessor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e sócio do Clube de Estudos Astronômicos de Alagoas (CEAAL).

Confira o artigo na íntegra:

A China Criou o Vírus?

Não, a China não criou vírus algum!

Esta semana observou-se quão prejudicial é as disseminações das fakes News. Pseudas informações que a China tinha propositalmente criado o Corona Vírus com a intensão de tomar proveito econômico. Não sei se por desconhecimento econômico e geográfico ou por pura maldade ou ainda, outro motivo mais absurdo. Tais informações foram propagadas sem trazer nenhuma contribuição positiva como sempre, sem fundamentação lógica e teórica.

A China possui aproximadamente um bilhão e meio de habitantes, é um país em que convive com os sistemas: capitalista (exerce uma economia de mercado à nível internacional) e socialista (o Estado é o único provedor da Política de saúde, educação, segurança e infraestrutura, etc) de forma bastante definida em seu território e no cenário global; este país durante muitos anos registra um crescimento econômico que muitas vezes chegou acima dos 10% anuais, uma verdadeira locomotiva que impulsionava junto com os Estados Unidos o comércio e a economia mundial, e que também, junto com os norte-americanos travou-se nos últimos anos uma disputa comercial colossal, no qual na verdade, um precisando do outro em uma simbiose incalculável, tanto as empresas e os consumidores americanos precisam da China, como a China precisa dos produtos americanos. Só para termos uma ideia o iphone símbolo da tecnologia em smart fone dos Estados Unidos é produzido na China, fazendo com que a apple tenha lucros que jamais obteria se estivesse produzindo em território americano. Já com o Brasil, a China em 2019 foi responsável por mais de 28% de nossas exportações é um parceria estratégica na balança comercial brasileira. Hoje pode se falar que boa parte da indústria e economia brasileira depende da indústria chinesa, moeda fraca em relação ao valor do dólar e capacidade de produção enorme faz da China pilar essencial na economia mundial, dizer que a China produziu algo para quebrar a economia mundial é hipoteticamente a mesma coisa que um pequeno comerciante dono de uma lanchonete localizada em frente de uma faculdade torcesse para o fechamento da mesma, ou seja, iria por tabela fechar também o seu negócio. Para a China ganhar dinheiro, ela precisa que os outros países tenham dinheiro também, que seu povo consuma, a crise econômica não isenta ninguém de prejuízos e crises. A questão é:  o que cada país tem de plano para amenizar essa situação e salvar o seu povo da crise? Para tanto, diante da realidade de cada país, deve-se observar as melhores formas de atender as demandas locais, com isso traçar planos e estratégias socioeconômicas, pois mesmo após a pandemia efeitos colaterais terão também que serem tratados. Aqui no Brasil, com aproximadamente 10 milhões de desempregados e mais de 40 milhões no subemprego a elaboração de um plano econômico para os trabalhadores e as empresas de médio e pequeno  porte, são extremamente importantes para manutenção das famílias e  da paz social, do contrário, se o Estado não tomar para si este caminho, fechando as arestas políticas e demagógicas  para este momento vai se provocar danos até quem sabe maiores e mais dolorosos, principalmente para os mais pobres que são em sua grande parte as maiores vítimas desse flagelo.

Outro fato é que vários laboratórios, inclusive Norte americanos, ingleses e australianos constataram que a origem do corona vírus não tem nenhuma possibilidade de ter sido produzido em laboratório, isto é, sua origem é natural, assim como vários outros vírus em estado latente na natureza que estão aguardando que um organismo interaja com suas células e ele possa se multiplicar realizando a lei da natureza, buscando a sua perpetuação. O que vem ocorrendo na China inicialmente já aconteceu várias  vezes na Europa , na África e outras regiões da Ásia e em outros lugares do mundo em um momento que não havia meios de transportes e comunicação como temos hoje, que globalizam com “dificuldade” o que é bom e com muita “facilidade” o que é ruim; o que está acontecendo na China foi uma enorme prova do que a humanidade com seu modelo de consumo em busca de alimentar o Capital, explora a natureza de forma irracional, trazendo consequências negativas para o próprio homem. Nas florestas e nos ecossistemas diversos espalhados pelo mundo, existem animais que hospedam há gerações vírus que ao organismos deles são inofensivos, mas quando estes sofrem mutações podem se adaptar a outros hospedeiros, e a estes novos trazendo consequências fatais. O contato com as fronteiras naturais expõe o homem a novos inimigos muitas vezes microscópicos, que necessitam de um vetor para se alojar no organismo humano como por exemplos a Dengue, a Chinkungunya e a Zika que precisam do mosquito aedes aegypti para realizar a transmissão ou em muitos casos como vemos agora, o vírus passar de humano para humano sem necessidade de um terceiro indivíduo, tornando sua propagação mais rápida e, isso vem acontecendo com a humanidade há séculos. Diante do cenário atual e avaliações de especialistas, autoridades médicas e cientistas, já sabemos que o grau de letalidade desta nova doença chamada agora de covid – 19, não é tão grande quanto outras que já assolaram a humanidade em séculos anteriores, o problema está na facilidade de contaminação que faz com que o contágio em núcleos populacionais de grande densidade possa alcançar números gigantescos de infectados.

Há vacina? ainda não! já estão sendo testadas, mas o que mais se noticia é o uso da medicação a base de cloroquina, remédio utilizado desde do século passado para o tratamento da malária, mas é bom lembrar que este tratamento tem resultados satisfatórios em uma fase preliminar de pesquisa,  algo que já aconteceu antes quando também tentaram  tratar pacientes com chinkungunya e os resultados preliminares foram animadores, mas quando as pesquisas avançaram foi constatado a não eficácia do referido remédio para esta doença, desta forma, temos que acreditar na ciência e nos médicos  e fazer o que se tem de mais prático e a nosso alcance  para prevenir o contágio que é o isolamento social. A postura de líderes políticos pelo mundo que valorizaram a suas assessorias técnicas e a ciência, mostraram resultados extremamente positivos em relação aos que em sua falta de bom senso, egoísmo e demagogia, se recusaram a ouvir a quem entende do assunto. A decisão dos governadores em especial ao do nosso Estado de Alagoas, se faz no momento certo e de forma correta sob o aspecto científico, priorizando o que temos de maior valor que é são as nossas vidas; o isolamento social é a forma mais palpável e indicado pelas autoridades científicas de todo o mundo nesse momento em que vivemos um cenário catastrófico, podendo nos salvar de algo mais trágico. Não que não iriam ocorrer mortes, mas que o número de vítimas e infectados serão menor se fizermos a nossa parte. Toda essa situação traz uma reflexão abrangente em alguns aspectos: primeiro, a situação do Brasil e o mundo em relação ao meio ambiente tem que ser urgentemente pensada; segundo, as soluções apresentadas do sistema de saúde  mundial  mostram que o Estado é o principal protagonista para o combate de pandemias e calamidades públicas, necessitando cada vez mais de investimento na área;  por fim, a ciência tem mostrado ser o principal meio para a resolução do problema, de forma sólida, eficaz e verdadeira, merecendo a sua devida valorização e reconhecimento. Com tudo, devemos pensar em políticas públicas e investimentos socioeconômicos que afastem a política ideológica e a busca de lucros excessivos e permitam trazer o alívio, a cura e a fé de que a humanidade mais uma vez deva vencer. Assim, contrariando a pseuda informação que a China é a causadora de propagar o Vírus para obter lucros, reafirmo que estamos vivenciando os efeitos do desequilíbrio ambiental, para tanto, precisamos agir e pensar coletivamente e buscar a construção de uma sociedade mais consciente e responsável com a natureza e o meio ambiente.

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